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UNIJIPA REALIZA DIÁLOGO ETNOGRÁFICO INTERCULTURAL NA TERRA INDÍGENA IGARAPÉ LOURDES

20/11/2014
06/07/2016
Notícias
Graduação

O domingo 16 de novembro amanheceu chovendo, mas mesmo assim não arrefeceu os ânimos dos alunos dos cursos de graduação – do 2º período de Enfermagem e do 4º período de Ciências Contábeis da Unijipa, para uma aula diferente, por meio de Visita Técnica supervisionada, à terra indígena Igarapé Lourdes. A atividade teve como objetivo proporcionar uma vivência e conhecimento da cultura de uma aldeia de povo indígena da região. A viagem ocorreu tranquila em dois ônibus que saíram da sede da faculdade por volta das 7h20 da manhã. Ao chegar ao local às 9h40, precisamente à aldeia Ikolen – que tem significado de gavião em tupi mondé -, em território do povo Gavião, o grupo foi recepcionado pela família da esposa não índia do Cacique Catarino Gavião.

Os familiares do Cacique esperavam a todos com uma recepção calorosa. Após as saudações iniciais, os alunos foram convidados a se acomodarem no auditório da aldeia, onde assistiram a uma apresentação artística de danças típicas e canções tradicionais do povo Gavião e palestra. Ao final da fala do cacique, aconteceu um debate, onde o anfitrião foi questionado a respeito de temas como: plantas medicinais, saúde, aborto, parto, moradia, casamento, distribuição do trabalho entre os gêneros, fonte de renda, alimentos, rituais da tradição, religiosidade, relacionamento com o meio urbano, educação entre outras coisas.

A Profª Drª. Regina Clara de Aguiar, que esteve acompanhando a Visita Técnica, comentou a experiência vivida pela equipe. “Estivemos em contato com a cultura, mitos, costumes e os conceitos agora um pouco mais desmistificados durante a aula em campo. Encerramos as atividades com um passeio pela aldeia, guiado pelo anfitrião. Foi, portanto, uma Visita Técnica que se pode definir também como um mini campo etnográfico, intercultural e interdisciplinar, que com certeza, permitiu ao grupo de estudantes da UNIJIPA, um olhar diferente e maior conhecimento das práticas e saberes desses povos da tradição de Rondônia, que vivem ainda sob a magia da floresta e de suas tradições. Essa ação possibilitou um acúmulo muito interessante de conhecimento aos nossos alunos”. E concluindo, lembra que “a cultura brasileira é uma síntese da influencia de diversos povos e etnias, sendo um exemplo único de hibridação cultural, juntando três composições de povos – indígenas, afro e europeu -, que deram origem aos nossos hábitos e costumes tradicionais”.

A opinião geral da equipe de educadores que pensou e ousou levar os alunos para vivenciar a aula em campo, é de que valeu a pena a visita. E que além do mais, nesses momentos se pode refletir e revisar assuntos vistos em sala de aula. Já a Drª. Maria Conceição Lacerda, comentando sobre alguns itens que vem observando nas suas investigações, afirma que, “afinal se percebe que hoje alguns anciãos da aldeia falam muito pouco ou quase nada da língua portuguesa – os jovens e as lideranças tradicionais, com menos de 70 anos são bilíngues -, mas todos falam o idioma tupi monde nas aldeias. Existe um projeto de manutenção da língua, inclusive, com a ajuda de missionários, a bíblia já foi traduzida para o idioma deles, como forma de fixar a juventude no local, tendo em vista a quantidade de índios que praticam alguma religião de raiz pentecostal nas aldeias. Os alunos do ensino médio que tem oportunidade de estudar fora da aldeia aprendem além de português, inglês e espanhol por imposição da SEDUC/Rondônia”. A opinião da Profª. Ms. Sonia Ribeiro é de que “durante a visita, também se pode verificar alguns aspectos sobre a população indígena, que infelizmente ainda persistem em se impor, quando se trata da cultura desses povos”.

Estiveram envolvidos na realização desse Projeto de Extensão, a Profª. Ms. Sônia Maria Ribeiro (Coordenadora do Curso de Bacharelado em Enfermagem da UNIJIPA), Profª Drª. Regina Clara de Aguiar (Disciplina de Sociologia do 2º período de Enfermagem, jornalista e Antropóloga) e a convite da Profª Kéle Jardim (4º período de Ciências Contábeis) a Drª. Maria Conceição de Lacerda (Profª indigenista e Antropóloga).

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